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Ilhas Desertas

A Reserva Natural das Ilhas Desertas, com uma área de 9.672 ha, é delimitada pela batimétrica dos 100m e inclui todas as ilhas ou ilhéus. A área marinha está dividida em Reserva Parcial - a Norte, e Reserva Integral - a Sul. Foi criada com o objectivo de proteger de forma racional e eficaz todo um Património Natural com elevado valor biológico, científico e ecológico. Estabelecida em 1990 como Área de Protecção Especial passou a ter o estatuto de Reserva Natural a partir de 1995. Entretanto, foi em 1992 classificada como Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa e posteriormente integrada na Rede Natura 2000. Possui um Património Natural único com espécies raras e endémicas com destaque para o Lobo-marinho, Monachus monachus, que é a foca mais rara do Mundo. As Desertas são também, um importante centro de nidificação de aves marinhas protegidas e apresentam um património florístico valioso que se encontra em recuperação.
As Ilhas Desertas são constituídas por três ilhéus (Ilhéu Chão, Deserta Grande e Bugio) situados a SE da Madeira, no prolongamento para Sul da Ponta de São Lourenço, distando desta 11 milhas marítimas e do Funchal 22 milhas. A sua latitude é limitada pelos paralelos 32º e 24´05´´N e 32º 35´20´´N, e a longitude pelos meridianos 16º 27´45´´W e 16º32´50´´W. De origem vulcânica, as Desertas, formaram-se há cerca de 3.5 milhões de anos. Na sua constituição geológica predominam as cinzas de cor avermelhada e amarelada, que em geral formam camadas mais ou menos definidas e são atravessadas, em muitos locais, por filões de basaltos.
Possuem uma extensa faixa litoral (cerca de 37700m) quase toda muito rochosa, formada por escarpas muito inclinadas e quase a pique, o que as torna praticamente inacessíveis. Ao longo da costa existem várias grutas e praias de areia e/ou calhau rolado.
Fonte: Parque Natural da Madeira (PNM) www.pnm.pt
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História
O relevo acidentado e a ausência de água doce não permitiram que as ilhas fossem colonizadas. No entanto, como era comum na época, foram ali introduzidas aves de caça e gado. Sabe-se que no final do século XVI, ficavam permanentemente na Deserta Grande, oito homens e um feitor que semeavam trigo e cevada para manter pastos para o gado. Desse tempo ainda restam uma eira em perfeito estado de conservação e alguns muros de pedra.
A recolha de Urzela, Rocella canariensis, um líquen do qual se extraía um corante púrpura, e da Barrilha, Mesembryanthemum crystallinum e M. nodiflorum, utilizada na produção de sabão foram actividades que se desenvolveram nestas ilhas e que constituíam nessa época uma excelente fonte de rendimento.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foram construídos vários acessos ao topo da Deserta Grande, onde foram instalados cinco postos de vigia para o controlo dos submarinos alemães. Estas vigias foram, posteriormente, utilizadas pelos caçadores de baleias para a localização destes cetáceos.
Fonte: Parque Natural da Madeira (PNM) www.pnm.pt

Ilhéu Chão a mais pequena das ilhas deve o seu nome à forma plana que apresenta. Tem 1.600 m de comprimento e 500 m de largura máxima. A altitude quase constante de 80 m atinge o máximo de 98 m, no extremo Norte. Foi aqui que em 1959 se construiu o Farol do Ilhéu Chão. Uma torre solitária que fica a contemplar o esguio rochedo, de 50 m, que se ergue do mar mesmo à sua frente, o Farilhão.
Deserta Grande é a maior das três, com 11.700 m de comprimento e 1.900 m de largura máxima. Atinge a maior altitude aos 479 m na zona central da ilha apresentando em geral encostas elevadas e íngremes. É nesta ilha que se encontra a estação do serviço do Parque Natural da Madeira, mais precisamente na Fajã da Doca. Esta fajã, localizada a Oeste, juntamente com a do lado inverso, a Fajã Grande, formou-se a partir de um desabamento de terras que ocorreu em 1894. A restinga, originada pela derrocada, transformou a baía da Doca num excelente porto natural que é o ancoradouro oficial da Reserva.
Bugio ou Deserta Pequena como é familiarmente conhecida pelos pescadores, é a mais acidentada e recortada das ilhas. Ao longo dos seus 7.500 m de comprimento apresenta vários conjuntos de cristas e um único planalto, os quartos do Bugio, onde atinge a largura máxima de 700 metros. A altura máxima de 388 m é atingida numa crista rochosa localizada a Norte. No extremo Sul, foi construído um farol, também em 1959, o qual foi substituído, em 2003, por um Farolim automático.
Fonte: Parque Natural da Madeira (PNM) www.pnm.pt
Fauna
O Lobo-marinho figura como espécie emblemática da Reserva Natural das Ilhas Desertas por ter motivado a sua criação. Actualmente a colónia está estimada em cerca de 30 animais. As águas límpidas das Desertas apresentam uma fauna abundante e diversificada, desde as espécies costeiras que vivem fixas ao substrato às várias espécies de peixes. Cardumes de Salemas, Sarpa salpa, Sargos, Diplodus sp, Taínhas, Mugil auratus, Dobradas, Oblada melanura, Bogas, Boops boops, Peixes-verde, Thalassoma pavo, Bodiões, Sparisoma cretense, e Castanhetas, Chromis chromis e Abudefduf luridus, são frequentes. Os Meros, Epinephelus marginatus, e as Mantas, Mobula mobular, mais solitários, também aqui ocorrem. A Tartaruga-comum, Caretta caretta, e alguns mamíferos marinhos como golfinhos, baleias e cachalotes também frequentam as águas circundantes das Desertas. Este espaço é também um importante centro de nidificação de aves marinhas, tais como a Cagarra, Calonectris diomedea borealis, o Roque-de-Castro, Oceanodroma castro, a Alma-Negra, Bulweria bulwerii, e a Freira-do-Bugio, Pterodroma feae, que merece grande destaque pela sua raridade e por nidificar unicamente na ilha do Bugio, onde está estimada em 150 a 200 aves, e em Cabo Verde. As aves residentes resumem-se a 2 passariformes, o Canário-da-terra, Serinus canarius, e o Corre-caminhos, Anthus bertheloti, à Gaivota, Laurus argentatus, e as rapinas, Manta, Buteo buteo, o Francelho, Falco tinunculus, e Coruja Tyto alba. No Norte da Deserta Grande, no vale da Castanheira, reside a Tarântula-das-Desertas, Lycosa ingens, uma espécie endémica desta ilha. A Lagartixa, Lacerta dugesii mauli, é o único réptil terrestre que habita estas ilhas e é uma sub-espécie endémica das Desertas.
Quanto aos mamíferos terrestres, todos eles introduzidos, depois do trabalho que visou a sua eliminação, restam o Murganho, Mus musculus e a Cabra na Deserta Grande. No Bugio, existe ainda outra espécie de Cabra, que tudo indica tratar-se da pré-hispânica, oriunda das Canárias, onde, actualmente, está extinta. A confirmar-se esta situação, estaremos perante um dos poucos casos em que uma população introduzida se transforma na única sobrevivente.
Flora
Apesar da vegetação ser pouco abundante, devido à introdução de herbívoros durante o século XV, a diversidade é grande. São cerca de 201 plantas distintas, das quais 33 endémicas do arquipélago da Madeira e duas exclusivas da Deserta Grande, um pequeno arbusto, Sinapidendron sempervivifolium, e uma hepática folhosa, Frullania sergiae.
Nas três ilhas, predomina uma vegetação rasteira e semi-arbustiva, abundando a Barrilha, Mesembryanthemum crystallinum e M. nodiflorum, a Trevina, Lotus glaucus, e o Funcho-marinho, Crithmum maritimum. Mas também se encontram alguns arbustos, tais como o Massaroco, Echium nervosum, e a Figueira-do-Inferno, Euphorbia piscatoria, e na Deserta Grande, encontram-se algumas árvores, como é o caso do Barbusano, Apollonias barbujana, do Marmulano, Sideroxylon marmulano, e do Zambujeiro, Olea europaea ssp. maderensis.
Fonte: Parque Natural da Madeira (PNM) www.pnm.pt
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